Gestão de Pessoas

O motivo por trás do colaborador que ignora a avaliação

25 ago 20265 min de leitura
O motivo por trás do colaborador que ignora a avaliação
Colaboradores só se engajam na avaliação de desempenho quando enxergam nela um ganho real para o próprio desenvolvimento.

Chega a época da avaliação de desempenho e uma etapa específica costuma travar: a autoavaliação, o momento em que o próprio colaborador registra sua percepção sobre o próprio trabalho. O prazo vence e uma parte do time nunca abre o formulário. Não por esquecimento. É a pessoa concluindo, com razão, que aquilo não vai mudar nada para ela. Quem responde, muitas vezes faz isso no automático: marca as opções do meio, escreve duas linhas genéricas no campo aberto e envia.

Uma pesquisa da Gallup ajuda a explicar por quê: apenas 14% dos colaboradores concordam fortemente que a avaliação que recebem os ajuda a melhorar. Se o processo não parece gerar retorno nem quando vem do gestor, faz sentido que a parte que depende só do colaborador (a autoavaliação) seja a primeira a ser deixada de lado.

Vale separar uma coisa aqui. Avaliação de desempenho e feedback não são a mesma ferramenta. Feedback é a conversa contínua ao longo do ano, o ajuste de rota do dia a dia. Avaliação de desempenho é o momento formal em que se consolida um período inteiro, e a autoavaliação é a etapa dentro desse momento em que o colaborador escreve, com as próprias palavras, o que fez, onde travou e o que precisa para evoluir. É essa etapa, especificamente, que este artigo trata: por que o colaborador não se engaja na própria autoavaliação, e o que fazer para mudar isso.

O colaborador só preenche a autoavaliação quando enxerga o que ganha

Quando a autoavaliação parece um formulário para o RH arquivar, ou uma exigência que só serve para a empresa decidir aumento e promoção, o colaborador não vê motivo para escrever com cuidado. Ou nem escreve.

O engajamento muda quando a pessoa entende, antes mesmo de abrir o formulário, que aquela autoavaliação é uma ferramenta dela, não da empresa. Que o que ela escrever ali molda o que vai desenvolver, quais oportunidades vai receber e para onde a carreira dela pode ir dali para frente.

Isso precisa ser dito com todas as letras, e mais de uma vez. Um comunicado antes do ciclo começar, explicando para que serve a autoavaliação em termos de desenvolvimento e não de controle, já muda a disposição de quem vai preenchê-la.

Feche o ciclo: mostre o que mudou por causa do que o colaborador escreveu

O motivo mais comum para um colaborador parar de levar a autoavaliação a sério é simples: ele escreveu com sinceridade da última vez e nada aconteceu depois. Nenhum plano de desenvolvimento, nenhuma conversa de acompanhamento, nenhuma mudança visível.

Esse é o ponto onde a maioria das empresas perde a confiança do time. A autoavaliação vira preenchimento de rotina, e o colaborador aprende, sem que ninguém precise dizer, que escrever a verdade ali custa esforço e não gera retorno.

Fechar o ciclo é o oposto disso. Significa transformar o que o colaborador escreveu na autoavaliação em um plano de desenvolvimento individual (PDI) com metas concretas, retomar esse plano nos meses seguintes e, no próximo ciclo, mostrar a ele o que mudou desde então por causa do que ele disse. É o pilar Revisar do Método CORE: consolidar o que foi registrado para decidir com segurança, em vez de deixar a informação se perder depois que o formulário é enviado.

Dê voz real à autoavaliação, não só um espaço para preencher

Muitas avaliações ainda são desenhadas de cima para baixo: o gestor avalia, e a autoavaliação existe só para o colaborador confirmar que participou. Quando o peso dela na decisão final é zero, o colaborador percebe rápido e para de se esforçar para responder bem.

Dar voz real significa que a percepção do colaborador sobre o próprio trabalho entra na conversa como dado, não como formalidade. Perguntar o que ele sente que fez bem, onde travou e o que precisaria para evoluir, e depois usar essas respostas para construir o plano junto com ele, não para ele.

Esse é o pilar Evoluir do Método CORE: um caminho de crescimento definido em conjunto tem muito mais força do que um caminho imposto. E é também o que sustenta a autoavaliação como algo que vale o tempo de responder, porque o colaborador vê a própria voz virando decisão.

Seja honesto sobre o que a autoavaliação decide

Colaboradores sabem que a avaliação de desempenho, autoavaliação incluída, influencia aumento, promoção e prioridade em oportunidades internas. Fingir que ela é só uma reflexão pessoal, sem nenhuma relação com essas decisões, é o tipo de meia verdade que mina a confiança no processo inteiro.

O caminho mais simples é o mais direto: explicar com clareza como o que o colaborador escreve na autoavaliação entra nessas decisões. Isso não torna o processo mais frio. Torna mais honesto, e é exatamente essa honestidade que faz o colaborador entender por que vale a pena investir tempo e sinceridade em preenchê-la.

Comece pelo ponto mais fraco do seu ciclo atual

Nenhuma empresa muda os quatro pontos de uma vez: comunicação de propósito, fechamento do ciclo, voz real na autoavaliação e transparência sobre as consequências. Mas dá para escolher o mais fraco no seu processo hoje e corrigir só esse, no próximo ciclo.

Se o colaborador não entende para que serve a autoavaliação, comunique o propósito antes de abrir o formulário. Se o que ele escreveu em ciclos anteriores nunca virou ação visível, retome o PDI da última vez antes de aplicar a próxima. Se a autoavaliação é só formalidade, mude o processo para que ela realmente pese na decisão final.

É para sustentar esse tipo de ciclo, do registro do PDI ao histórico de autoavaliações anteriores, que a gestão de pessoas da Leadins guarda tudo em um único lugar. Assim, na hora de mostrar ao colaborador o que mudou desde a última vez que ele escreveu, a prova já está pronta, e não depende da memória de ninguém.

Fonte: pesquisa Gallup sobre engajamento e liderança

Descubra mais sobre Leadins

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Voltar para o Blog